No km-17 da BR-383, ramal da rodovia BR-040 (Belo Horizonte – Rio de Janeiro ), a 104 km da capital mineira, onde a microregião da Serra do Espinhaço apresenta uma altitude em torno de 1000m, está o município de São Brás do Suaçuí, na margem esquerda do Rio Paraopeba que é afluente pela margem direita do Rio São Francisco. O território Municipal está a uma altitude de 938m acima do nível do mar, nas coordenadas de 20º 37&39;18&39;&39; de Latitude Sul e 43º 57&39;07&39;&39; de Longitude Oeste. O município é servido pela BR-383, que liga Murtinho a São João Del&39;Rei, contando também com ramais não pavimentados que ligam às Comunidades que se encontram em seu território: Mamonas, Pires, Rio Abaixo, Ponte Pequena, Capão; entre as quais Mamonas e Capão se encontram nos extremos divisórios, ao longo da referida BR. Conta também com um ramal pavimentado que liga à Jeceaba e um não pavimentado que tem a mesma função, passando pela Ferrovia do Aço. Tendo como vizinhos os municípios de Jeceaba, Conselheiro Lafaiete, Congonhas, Queluzito e Entre Rios de Minas, São Brás do Suaçuí faz parte, juntamente com esses municípios, da Zona Metalúrgica de Minas Gerais, exceto Entre Rios de Minas, que situa-se na Zona do Campo das Vertentes. Apresenta uma vegetação bastante variada, indo dos típicos cerrados aos pequenos bosques que abrigam, além de plantas exóticas, a fauna local, composta dos tradicionais veadinhos, que embora raros, ainda habitam nesta região; raposas, lobos, gatos selvagens, jaguatiricas, capivaras, pacas, coelhos, furões, tamanduás, esquilos, e entre outros os macaquinhos e os brincalhões micos estrela, que costumam buscar sua alimentação nos quintais das residências, também freqüentados por uma diversidade de pássaros, sendo mais comuns os tico-ticos, sabiás, tizius, sanhaços, gaviões, maritacas, andorinhas, pombas e pardais. Esta paisagem natural que cerca o Município, regada pelo frescor das fontes e cascatas, é como um ninho que abriga a população brás-suaçuiense, que tem o orgulho de ainda possuir este “Éden”, apesar do perigo que ronda os cerrados e os bosques, representado por uma grande quantidade de cascavéis e urutus, que põem em risco a vida dos incautos que adentram por picadas, avançando sobre regiões virgens. A cidade vive em grande parte do setor terciário, com um comércio local de secos e molhados. Agora começa a despertar para a exploração do turismo com abertura de pequenas lojas de artesanato. O ramo agropecuário pratica uma agricultura de subsistência, nos últimos anos se fortaleceu bastante a pecuária leiteira com gado confinado criado em pequenos sítios com altíssima tecnologia. A cidade tem uma agência do Itaú, Caixa Aqui, Bradesco(Banco Postal) e CREDICAMPO, energia fornecida pela CEMIG, serviços de telefonia da TELEMAR e tratamento de água da COPASA.
João Machado Castanho
Apesar de João Machado Castanho ter sido pioneiro no processo de civilização de nossa terra, outrora primitiva, seu nome figurou apenas a esmo. Nada se sabe de concreto sobre sua vida após 1713. Sua permanência fixa é comprovada, unicamente, pelo atestado de óbito, fielmente extraído, e que segue: LIVRO Nº H 33 FOLHA 8 VERSO ÓBITO. A dezenove dias dos mês de agôsto do anno de mil setecentos e vinte e oito faleceo da vida presente o Capitan João Gonçalves Castanho com todos os sacramentos. Homem casado natural da cidade de São Paulo filho legítimo de Mattias Machado Castanho e de sua mulher Jerônima Fernandes Greco de idade de cincoenta anos para sessenta faleceu sem testamento e está sepultado na capela de São Brás desta freguesia de N. S. da Conceissão das Congonhas do Campo e teve por sufrágio duas missas com encomendação (…..) de que fiz este assento por impossibilidade do reverendo vigário licenciado Pe. Antônio de Andrade. O coajutor Pe. Julião Nunes dos Reis. Jornal “O ECO” Edição especial – 12 de dezembro de 1983
História da Igreja
A primeira igreja , em São Brás do Suaçuí, situava-se à rua Francisco de Assis, distante 50 metros da igreja atual. Não se tem conhecimento da data de construção dessa igreja ao certo. Sabe-se que para sua construção, foi edificada uma casa, que existiu até 1976. Essa casa foi para alojamento de operários. Em seu lugar, existe hoje a casa de Regina Celle de Souza Soares. A igreja foi construída conforme estilo “espanhol – colonial”. Entretanto, não se sabe a razão. Tinha primeiramente uma única torre. A torre esquerda (direita de quem entra), foi construída em 1864/65. Em 1753, fala-se de uma possível reforma da primitiva (aliás, documento, na Curia Arquidiocese de Mariana, fotocopiado Pe. Gervásio Cunha, comprova licença para se construir a capela em louvor a São Brás, filiando a paróquia de Congonhas canonicamente, documento emanado por Dom Frei Manoel da Cruz, Primeiro Bispo de Mariana). No século 20, em princípios da década de trinta, houve uma reforma, quando modificaram o estilo da igreja, havendo substituição da telha de barro tipo marselhesa. Datas importantes:
22/12/1713: doação da sesmaria por D. Brás Baltazar da Silveira a João Machado Castanho, conforme escritura por Manuel Afonso.
13/04/1728: constituição do Patrimônio por Amando de Souza da Guarda.
19/10/1753: reconstrução (reforma) mencionada pelo historiador Carlos Trindade e acima documentada.
14/07/1832: Criação do curato de São Brás.
1º/06/1850: elevação de Curato a paróquia, conforme lei 471. Nesta data foi nomeado José Bonifácio Teixeira Campos como vigário colado, o qual fica 59 anos servindo na localidade. Nossa igreja é construída de pedras bem talhadas de granito, gnalss e ardósia. Está numa direcional aproximada norte/sul, com frente para o norte.
História do Bispo São Brás:
São Brás nasceu na Armênia, território pertencente à Turquia, no século III. Filho de pais pagãos, foi convertido ao cristianismo numa época de grandes perseguições. Batizado, jura fidelidade ao Evangelho e dedica seus conhecimentos médicos ao bem do próximo. Escolhido para ser bispo da cidade de Sebaste, dá toda a sua vida e sua fé, para ensinar, incentivar o povo. Muito popular por sua benção de garganta. Contam que certa vez, indo à morte, uma senhora, cujo filho engasgado com um espinho de peixe, estava morrendo, prostou – se à seus pés e o santo concentrou-se em oração passando a mão na cabeça do menino, que sarou imediatamente. Desde então, ele é o protetor da garganta contra qualquer mal. Perseguido por Licínio no ano 316 retirou-se para uma gruta. A lenda diz que muitos amigos lhe davam comida. Os caçadores o encontraram e apontaram-no como malfeitor levando-o a prisão. Não obstante, os milagres realizados pelo santo, foi condenado por não querer renegar a fé em Cristo. Teve suas carnes rasgadas com pentes de ferro. Suportou tantos suplícios até que lhe cortaram a cabeça. Suaçuí em Foco Janeiro de 2000
História de São Brás: bispo e mártir
No dia 3 de fevereiro a Igreja celebra a memória de São Brás, Bispo e Mártir. Nasceu na cidade de Sebaste, Armênia, no final do século III. São Brás, primeiramente, foi médico, mas entrou numa crise, não profissional, pois era bom médico e prestava um ótimo serviço à sociedade. Mas nenhuma profissão, por melhor que seja, consegue ocupar aquele lugar que é somente de Deus. Então, providencialmente, porque ele ia se abrindo e buscando a Deus, foi evangelizado. Não se sabe se já era batizado ou pediu a graça do Santo Batismo, mas a sua vida sofreu uma guinada. Esta mudança não foi somente no âmbito da religião, sua busca por Nosso Senhor Jesus Cristo estava ligada ao seu profissional e muitas pessoas começaram a ser evangelizadas através da busca de santidade daquele médico.
Numa outra etapa de sua vida, ele discerniu que precisava retirar-se. Para ele, o retiro era permanecer no Monte Argeu, na penitência, na oração, na intercessão para que muitos encontrassem a verdadeira felicidade como ele encontrou em Cristo e na Igreja. Mas, na verdade, o Senhor o estava preparando, porque, ao falecer o bispo de Sebaste, o povo, conhecendo a fama do santo eremita, foi buscá-lo para ser pastor. Ele, que vivia naquela constante renúncia, aceitou ser ordenado padre e depois bispo; não por gosto dele, mas por obediência.
Sucessor dos apóstolos e fiel à Igreja, era um homem corajoso, de oração e pastor das almas, pois ele cuidava da pessoa na sua totalidade. Evangelizava com o seu testemunho.
São Brás viveu num tempo em que a Igreja foi duramente perseguida pelo imperador do Oriente, Licínio, que era cunhado do imperador do Ocidente, Constantino. Por motivos políticos e por ódio, Licínio começou a perseguir os cristãos, porque sabia que Constantino era a favor do Cristianismo. O prefeito de Sebaste, dentro deste contexto e querendo agradar o imperador, sabia da fama de santidade do bispo São Brás, enviou os soldados para o Monte Argeu, lugar que São Brás fez de sua casa episcopal. Dali, ele governava a Igreja, embora não ficasse apenas naquele local.
São Brás foi preso e sofreu muitas chantagens para que renunciasse à fé. Mas por amor a Cristo e à Igreja, preferiu renunciar à própria vida. Em 316, foi degolado.
Conta a história que, ao se dirigir para o martírio, uma mãe apresentou-lhe uma criança de colo que estava morrendo engasgada por causa de uma espinha de peixe na garganta. Ele parou, olhou para o céu, orou e Nosso Senhor curou aquela criança.

Tradição nasceu em homenagem ao fundador
Segundo o poeta e historiador local, Severiano Antônio da Costa, a devoção pelo santo foi introduzida em homenagem a Dom Brás Balthazar da Silveira, então Governador da Capitania de São Paulo e Minas, em retribuição a doação da sesmaria, a João Machado Castanho. A data de 22 de dezembro de 1713 é marco do nascimento e fundação do município. Sesmaria era um pedaço de terra que os reis de Portugal cediam a sesmeiros que se dispusessem cultivá-lo. “Este foi um meio encontrado pelo fundador, João Castanho, de homenagear o doador de Sesmaria, Dom Brás”, disse Severiano Antônio da Costa. A devoção por São Brás vem desde o século XVIII, tradição que rompeu o tempo e hoje está enraizada na cultura e religiosidade do povo.

Jornal “O Eco”São Brás Do Suaçuí / 12 De Dezembro de 1983
Algumas noções do curso primário foram dadas primeiramente por um colégio de padres, fundado em Suaçuí por Pe. Lúcio, Pe. Cunha e Pe. Melo. Em 1888, o Estado fundou duas escolas: uma masculina, que teve como professores Drumont de Paula Leite e Antônio Raimundo da Paixão, e outra feminina, que teve em seu corpo docente Da. Joaninha, Da. Antônia Henriques Eiras, Da. Ambrozina, Da. Amélia d’Anunciação Pyramo, Da. Dolores Murta e Da. Júlia de Souza Godinho. Em 1949, pela Lei nº 323 de 20 de maio, as Escolas Reunidas passaram a grupo escolar, funcionando no mesmo prédio, à Praça Pyramo Fernando e tendo à frente a diretora Amélia d’Anunciação Pyramo que, com Dr. Aprígio Ribeiro de Oliveira e Dr. Francisco Badaró, muito trabalhou em prol do grupo escolar. Após a aposentadoria de Da. Amélia, ocuparam o cargo de diretora: Da. Maria da Paixão e Souza, Da. Zita de Freitas Pereira, Da. Maria José Pyramo da Costa e, posteriormente a então Srta. Therezinha Campos, que não mediu esforços para conseguir extensão de séries em nossa cidade. Suaçuí (nome de origem Tupi, que significa Rio dos Cervos) situa-se na zona metalúrgica do Estado de Minas Gerais. O aspecto geral do terreno é montanhoso. Sua área é de 107 Km2. Está a 78 Km da capital do estado, em linha reta. Sua altitude é em torno de 1000 metros. Possui um clima tropical de altitude, cuja temperatura, em graus centígrados, se apresenta com uma média máxima de 36º C e a mínima de 26º C. Nasceu no município o Marechal Rodolfo Gustavo da Paixão, que foi Deputado Federal e interventor no Estado do Maranhão, no Governo Nilo Peçanha. Como curiosidade arquitetônica, sua igreja , construída no Brasil Colônia, é onde se encontra a única imagem (painel) de Cristo Sorrindo existente no mundo.
Um córrego batiza uma vila
Nos anos seiscentos, mais precisamente no princípio do século XVII, quando teve início a conquista do Planalto Mineiro, onde foi descoberto o ouro e pedras preciosas, aventureiros de várias origens desbravavam a Mantiqueira e o Espinhaço, fazendo surgir rapidamente, arraiais que seriam as futuras vilas e cidades. Os paulistas foram os pioneiros deste feito, sendo os responsáveis diretos pelo povoamento desta região. Foi nesta época que João Machado Castanho, adentrou na microrregião da Serra do Espinhaço (Espinhaço Meridional) e encontrou umas paragens junto a um córrego denominado pelos indígenas por “GUACÚ”, que emprestava seu nome às terras por ele banhadas. Na língua tupi-guarani, “GUAÇU” é um cervo grande, que nesta época predominava na região; “HI” é a água do rio; assim clonclui – se que o dito córrego era a aguada dos cervos, que por sua vez eram a caça preferida dos indígenas. Ali também passava o caminho novo da Vila de São João Del Rei para a Vila Rica (Ouro Preto). Nesta área, João Machado Castanho, construiu um sítio e fixou residência, vindo a requerer junto ao representante da coroa, o então Oficial do exército, D. Brás Baltazar da Silveira, o legado de uma Sesmaria. Em 22 de dezembro de 1713, D. Brás Baltazar da Silveira assinou a carta de Sesmaria que doava a João Machado Castanho uma Quadra de uma légua de terras, que tinha como centro o seu próprio sítio. A carta citava os direitos e deveres do novo posseiro: cultivar as terras, não podendo impedir que colonos trabalhassem a mesma e construíssem suas casas, desde que não ultrapassassem as demarcações; não poderia expulsar nenhum colono destas terras a não ser por vias judiciais; e segundo o clero, deveria construir no local uma capela. A capela foi construída e coberta com folhas de buriti, recebendo em sua volta casa de colonos que se aventuravam pelos cerrados do Espinhaço Meridional. Estes eram, em sua maioria, mestiços de europeus e índios, os chamados “caipiras” ou “capiaus”, comuns em toda Minas Gerais. Uma arraial começava a nascer e o nome do córrego e daquelas paragens, era também seu nome, que traduzido para o português arcaico se escrevia “SUASSUHY”. Como padroeiro escolheram São Brás, talvez prestando uma homenagem ao doador da sesmaria: D. Brás Baltazar da Silveira. Assim, o pequeno arraial que mais tarde se transformou em vila, ficou conhecido como SÃO BRÁS DO SUASSUHY. As primeiras casas eram construídas de pau-a-pique e mais tarde com blocos de pedra. A capela do Senhor dos Passos e a Igreja de São Brás, hoje Santuário, são construídas em alvenaria, com blocos tirados da pedreira de São Brás. Textos de Maria De Fátima Marques Amâncio Gazeta Mineira___ Agosto de 89. Até 1832, o povoado de São Brás do Suaçuí subordinou-se à freguesia de Congonhas do Campo, quando, então, passou para a jurisdição de Brumado (hoje, Entre Rios de Minas) até 31 de dezembro de 1953, em que, pela Lei Estadual nº 1039, de 12/12/53, passou a constituir o município de São Brás do Suaçuí, graças ao empenho notadamente, de Olavo Drumond (na época jornalista), do Dr. Aprígio Ribeiro de Oliveira e do morador Severiano Antônio da Costa, que foi seu primeiro prefeito e, que de tanto amor que tem à cidade, a ela dedicou vários poemas.

Acontecimentos pré e pós emancipação
18 de março de 1953: O jornalista Olavo Drumond do Estado de Minas entrega ao Secretário do Interior Starling Soares, as reivindicações da moderna vila à futura cidade.
20 de outubro de 1953: O presidente da Câmara de João Ribeiro, Severiano Antônio da Costa, em entrevista ao Estado de Minas declara: “Em minha ausência realizou-se uma sessão em Câmara clandestina improvisada, sem qualquer formalidade legal, agindo contra a pacífica decisão da emancipação. Não posso concordar e nem a assembléia concorda, isto é uma afronta a um regime, um desrespeito à lei e as instituições; é uma farsa afinal.”
O deputado Ozanam Coelho expressa: “Volto a informar, tive conhecimento do ocorrido em João Ribeiro e sou francamente favorável à emancipação de São Brás do Suaçuí, tendo em vista que a comissão já aprovou a autonomia de Desterro e Jeceaba.”
19 de novembro de 1953: Olavo Drumond recebe em resposta às reivindicações de 18 de março o seguinte telegrama: “Estamos convencidos de que aquele pedaço de terra mineira merece e tem direito à sua autonomia, a viver livre para melhor desenvolver e crescer, na luta pelo progresso de Minas e do Brasil”.
9 de dezembro de 1953: Telegramas são enviados a Severiano Antônio da Costa. De Olavo: “Emancipação aprovada, terceira e última discussão. Abraços.” De Antônio Pimenta: “Prestimoso amigo acaba definitivamente votada emancipação seu futuroso município, congratulações seu laborioso povo. Abraços.”
15 de dezembro de 1953: Novamente, Olavo Drumond telegrafa a Severiano: “Motivo ter lutado favor próspero distrito sofri hoje brutal agressão recinto assembléia pelo Deputado José Geraldo. Viva nossa vitória, abraços.”
27 de dezembro de 1953: Publicada a nomeação de Murilo Ribeiro para intendente. Hospitalidade para com o amigo, pede Aprígio Ribeiro de Oliveira a Severiano Antônio da Costa.
1º de Janeiro de 1954: Instala-se, solenemente, o novo município.
28 de outubro de 1954: Juscelino Kubitscheck telegrafa a Severiano: “Congratulações pela sua magnífica vitória no pleito eleitoral com os votos que formulo para eficiente e brilhante administração como prefeito desse município. Saudações cordiais. Juscelino Kubitscheck, Governador do Estado.” Realizara-se a tão sonhada esperada Primeira Eleição.
30 de outubro de 1954: Severiano envia mensagem de agradecimento ao Governador do Estado: “Agradeço-vos penhorado amparo V. Excia., emancipação minha terra Suaçuí. Apresento-vos protestos consideração elevada estima.


O mês de dezembro, além de toda beleza e força de suas festas natalina, traz para São Brás do Suaçuí, suas melhores datas. Duplo aniversário acontece: nascimento e maioridade.
“Em 22 de dezembro de 1713, Suaçuí foi dado em sesmaria por D. Brás Balthazar da Silveira a João Machado Castanho” (do Livro: “Traços Genealógicos”, de Artur Campos – Cidade de Entre Rios de Minas). Nota confirmada pela carta de D. Brás Balthazar da Silveira contida na Revista do Arquivo Público Mineiro, ano IV – fascículo I e II de janeiro a junho de 1890, p. 156. Neste 22 de dezembro, portanto, São Brás do Suaçuí, completou 284 anos de fundação.
A referida carta é uma verdadeira certidão de nascimento de São Brás do Suaçuí.
“ Dom Brás Baltasar da Silveira………………………………………………..
Faço saber aos que esta carta de Sesmaria virem que tendo consideração a me representar João Machado Castanho, morador na cidade de São Paulo que tendo ele suplicante fabricado sitio em umas terras devolutas que estão no caminho novo que vem da Vila de São João Del Rei para estas Minas Gerais, na paragem chamada Suaçuí deseja viver no dito sítio com a sua família para o que impedia lhe fizesse mercê de algumas terras que ficam juntas ao dito sítio e visto o seu requerimento e entendendo a que é mui conveniente que se povoem e cultivem as mesmas terras, hei por bem fazer mercê ao suplicante em nome de sua majestade de uma légua de terras em quadra na sobredita paragem a qual fará pião no sítio da vivenda do suplicante donte correrá para todas as partes até cerrar o quadro da dita légua com declaração que não prejudicará as terras que dentro dela cultivarem quaisquer moradores os quais também não poderão alargar-se nem tomar mais terras que as que ao presente cultivam, e quando o suplicante tenha direito para expulsar, o não fará senão pelos meios ordinários sem usar de violência alguma e será obrigado a cultivar e povoar nas ditas terras, e na mesma forma que os outros. Com data de 22 de dezembro de 1713 – O secretário – Manoel de Afonseca a fez escrever – D. Brás Baltasar da Silveira.”
Outra data chave para nosso município é 12 de dezembro. Data de sua emancipação política. Em 12 de dezembro de 1997, São Brás do Suaçuí completou 44 anos de emancipação política.
A Presença da Igreja Católica é forte na vida de São Brás. Como praticamente todas as cidades deste tempo, também esta tem suas origens ligadas à presença evangelizadora da Igreja na época do Brasil Colônia. Em nota histórica de D. Oscar de Oliveira no livro de Tombo da Paróquia de São Brás podemos encontrar:…………. “bem anos antes de 1738 já se faziam batizados em São Brás do Suaçuí, conforme se lê nos livros de Batismo de Congonhas” (Livro do Tombo. N° 2, p.73 – Paróquia de São Brás).
O patrimônio da Capela de São Brás foi constituído por doação de Amador de Souza da Guarda, em 13 de abril de 1728 por escritura passada em Vila Rica, hoje Ouro Preto, como se pode ver em documento arquivado na cúria de Mariana: “Escritura de Nota e patrimônio, que por Amador de Souza da Guarda, morador na Paraopeba, a uma Capela de São Brás, construída no Suaçuí do Rio das Mortes…..” Com data de 19 de outubro de 1753. Em 19 de outubro de 1753 foi registrado um documento de construção da Capela de São Brás do Suaçuí, filial de Congonhas do Campo. Certamente uma reconstrução, uma vez que documentos anteriores indicam a presença da Igreja em tempos bem anteriores. Como vimos acima (cf. Anotação de D. Oscar de Oliveira, Livro do Tombo, n° 2, Paróquia de São Brás). Inicialmente, São Brás do Suaçuí ficou pertencendo a Congonhas do Campo. Com a criação da Paróquia de Nossa Senhora das Brotas de Entre Rios de Minas, em 14 de junho de 1832, São Brás do Suaçuí passou a pertencer àquela Paróquia. A criação da Paróquia de São Brás aconteceu em 1° de junho de 1850, por Lei Mineira n° 471. Sendo seu primeiro pároco o Pe. José Bonifácio Teixeira Campos. A presença da Igreja Católica, portanto às origens de São Brás (1713-1728); a Paróquia completa neste anode 2006, 156 anos.
- A Sesmaria de Suaçuí foi doada pelo Governador D. Brás Balthazar da Silveira a João Machado Castanho, em 22 de dezembro de 1713. A sesmaria do Brumado ( Entre Rios de Minas) foi doada por D. Brás Balthazar da Silveira a Pedro Domingues em 20 de dezembro de 1713.(CF. Notas de D. Oscar de Oliveira, Livro de Tombro, N° 2, Paróquia de São Brás)
Publicado no mês de nov/dez 1997
Jornal “ Nascentes” – São Brás do Suaçuí/MG

