Jornal “O Eco”São Brás Do Suaçuí / 12 De Dezembro de 1983

          Algumas noções do curso primário foram dadas primeiramente por um colégio de padres, fundado em Suaçuí por Pe. Lúcio, Pe. Cunha e Pe. Melo. Em 1888, o Estado fundou duas escolas:   uma masculina, que teve como professores Drumont de Paula Leite e Antônio Raimundo da Paixão, e outra feminina, que teve em seu corpo docente Da. Joaninha, Da. Antônia Henriques Eiras, Da. Ambrozina, Da. Amélia d’Anunciação Pyramo, Da. Dolores Murta e Da. Júlia de Souza Godinho. Em 1949, pela Lei nº 323 de 20 de maio, as Escolas Reunidas passaram a grupo escolar, funcionando no mesmo prédio, à Praça Pyramo Fernando e tendo à frente a diretora Amélia d’Anunciação Pyramo que, com Dr. Aprígio Ribeiro de Oliveira e Dr. Francisco Badaró, muito trabalhou em prol do grupo escolar. Após a aposentadoria de Da. Amélia, ocuparam o cargo de diretora: Da. Maria da Paixão e Souza, Da. Zita de Freitas Pereira, Da. Maria José Pyramo da Costa e, posteriormente a então Srta. Therezinha Campos, que não mediu esforços para conseguir extensão de séries em nossa cidade. Suaçuí (nome de origem Tupi, que significa Rio dos Cervos) situa-se na zona metalúrgica do Estado de Minas Gerais. O aspecto geral do terreno é montanhoso. Sua área é de 107 Km2. Está a 78 Km da capital do estado, em linha reta. Sua altitude é em torno de 1000 metros. Possui  um clima tropical de altitude, cuja temperatura, em graus centígrados, se apresenta com uma média máxima de 36º C e a mínima de 26º C. Nasceu no município o Marechal Rodolfo Gustavo da Paixão, que foi Deputado Federal e interventor no Estado do Maranhão, no Governo Nilo Peçanha. Como curiosidade arquitetônica, sua igreja , construída no Brasil Colônia, é onde se encontra a única imagem (painel) de Cristo Sorrindo existente no mundo.  

Um córrego batiza uma vila    

       Nos anos seiscentos, mais precisamente no princípio do século XVII, quando teve início a conquista do Planalto Mineiro, onde foi descoberto o ouro e pedras preciosas, aventureiros de várias origens desbravavam a Mantiqueira e o Espinhaço, fazendo surgir rapidamente, arraiais que seriam as futuras vilas e cidades. Os paulistas foram os pioneiros deste feito, sendo os responsáveis diretos pelo povoamento desta região.        Foi nesta época que João Machado Castanho, adentrou na microrregião da Serra do Espinhaço (Espinhaço Meridional) e encontrou umas paragens junto a um córrego denominado pelos indígenas por “GUACÚ”, que emprestava seu nome às terras por ele banhadas. Na língua tupi-guarani, “GUAÇU” é um cervo grande, que nesta época predominava na região; “HI” é a água do rio; assim clonclui - se que o dito córrego era a aguada dos cervos, que por sua vez eram a caça preferida dos indígenas. Ali também passava o caminho novo da Vila de São João Del Rei para a Vila Rica (Ouro Preto). Nesta área, João Machado Castanho, construiu um sítio e fixou residência, vindo a requerer junto ao representante da coroa, o então Oficial do exército, D. Brás Baltazar da Silveira, o legado de uma Sesmaria.  Em 22 de dezembro de 1713, D. Brás Baltazar da Silveira assinou a carta de Sesmaria que doava a João Machado Castanho uma Quadra de uma légua de terras, que tinha como centro o seu próprio sítio. A carta citava os direitos e deveres do novo posseiro: cultivar as terras, não podendo impedir que colonos trabalhassem a mesma e construíssem suas casas, desde que não ultrapassassem as demarcações; não poderia expulsar nenhum colono destas terras a não ser por vias judiciais; e segundo o clero, deveria construir no local uma capela. A capela foi construída e coberta com folhas de buriti, recebendo em sua volta casa de colonos que se aventuravam pelos cerrados do Espinhaço Meridional. Estes eram, em sua maioria, mestiços de europeus e índios, os chamados “caipiras” ou “capiaus”, comuns em toda Minas Gerais. Uma arraial começava a nascer e o nome do córrego e daquelas paragens, era também seu nome, que traduzido para o português arcaico se escrevia “SUASSUHY”.  Como padroeiro escolheram São Brás, talvez prestando uma homenagem ao doador da sesmaria: D. Brás Baltazar da Silveira. Assim, o pequeno arraial que mais tarde se transformou em vila, ficou conhecido como SÃO BRÁS DO SUASSUHY.  As primeiras casas eram construídas de pau-a-pique e mais tarde com blocos de pedra. A capela do Senhor dos Passos e a Igreja de São Brás, hoje Santuário, são construídas em alvenaria, com blocos tirados da pedreira de São Brás. Textos de Maria De Fátima Marques Amâncio Gazeta Mineira___ Agosto de 89. Até 1832, o povoado de São Brás do Suaçuí subordinou-se à freguesia de Congonhas do Campo, quando, então, passou para a jurisdição de Brumado (hoje, Entre Rios de Minas) até 31 de dezembro de 1953, em que, pela Lei Estadual nº 1039, de 12/12/53, passou a constituir o município de São Brás do Suaçuí,  graças ao empenho notadamente, de Olavo Drumond (na época jornalista), do Dr. Aprígio Ribeiro de Oliveira e do morador Severiano Antônio da Costa, que foi seu primeiro prefeito e, que de tanto amor que tem à cidade, a ela dedicou vários poemas. 

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